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Gênesis 37.24 E tomaram-no e lançaram-no na cova; porém a cova estava vazia, não havia água nela Gênesis 41.40Tu estarás sobre a minha casa, e por tua boca se governará todo o meu povo; somente no trono eu serei maior que tu.

Cova e trono, são absolutamente diferentes, na verdade são dois extremos. Em um somos humilhados e no outro honrados. Somente Deus pode tirar alguém do poço das impossibilidades humanas, e colocá-lo num lugar de honra.
A Bíblia diz: Quem é como o Senhor, nosso Deus, que habita nas alturas; que se curva para ver o que está nos céus e na terra; que do pó levanta o pequeno e, do monturo, ergue o necessitado, para o fazer assentar com os príncipes… Salmos 113.5-8.

A trajetória de vida de José, filho do patriarca Jacó, é de fato inspiradora e muito tocante. Tudo começa com sonhos repetidos que Deus lhe dá e intriga todos os membros da sua família, principalmente seus irmãos, Gênesis 37.5-11. Mas tudo isso estava sob os olhares cuidadosos do Senhor. José tinha apenas 17 anos quando Deus inicia seu treinamento para um dia usá-lo num posição de grande honra, Gênesis 37.2.

Quando somos meninos sonhamos em ser isso ou aquilo (ex: médico, engenheiro, empresário, etc.), mas nunca avaliamos o custo que isso terá para nós, apenas almejamos aquelas posições que consideramos rentáveis e de muita honra na sociedade. Mas à medida que vamos crescendo percebemos que do sonho à realidade tem uma razoável distância, e normalmente desistimos, e assumimos aquilo que vai aparecendo ou o que vamos conquistando na vida.

No ministério cristão é mais ou menos assim também. Com a diferença de que quando Deus coloca o sonho em nossos corações, I Timóteo 3.1, Ele mesmo cria as situações e oportunidades favoráveis, Filipenses 2.13, para que aquilo que planejou para as nossas vidas, Jeremias 29.11, se realize.

José antes de ser o mais poderoso governador do Egito de todos os tempos, ficando atrás apenas de Faraó em grau de importância e destaque, teve que amargar 13 longos anos de preparação. Deus é tão sábio, que nos dá o sonho, mas não revela os detalhes de como aquele sonho se concretizará. Graças a Deus por isso, pois do contrário, seriamos um grande estorvo para Ele.

Depois de José contar os seus sonhos para seus irmãos, a Bíblia diz que eles o odiaram ainda mais, Gênesis 37.5, e esse ódio injustificado terminou com eles lançando-o numa cova, e depois o venderam – como escravo – para os Ismaelitas que o levaram para o Egito. Portanto, a odisseia de José começa num cova ou poço seco no meio do deserto.

Antes de gozarmos das bênçãos que o Senhor pode e quer nos dar em seu Reino, Ele irá nos levar por semelhante caminho. A cova de José é o lugar da humilhação, das lágrimas, da oração, da meditação profunda, dos questionamentos e do silêncio de Deus. É nesse lugar de prova que Deus nos amassa e dá forma como o oleiro faz com o barro em suas mãos. A maneira como reagirmos nesse estágio da vida determinará como ou se de fato estaremos prontos para a realização da obra que Deus nos confiará para fazer.

Amados irmãos, é na cova como foi com José, que Deus forma o nosso caráter, desenvolve nossas aptidões, engrossa nossas mãos para o trabalho duro do ministério, fortalece nossa musculatura espiritual por meio do compromisso da oração e estudo diário das Escrituras, enfim, nos talha para um ministério aprovado em todos aspectos, 2 Timóteo 2.15. Se você estiver nessa fase da vida, não se desespere, logo chegará o dia em que o Senhor te levará para o trono. E à semelhança da mulher que está para dar a luz, você, regozijará quando o Senhor te honrar.

Isso quer dizer que só faremos um bom governo depois de passarmos pela provação do treinamento espiritual para arrancar das nossas vidas toda mazela moral, pois é desse modo que o Senhor trabalha. Quem chega ao trono antes de passar pela cova terá vida curta, porque tomou um atalho que normalmente os preguiçosos, indolentes e maus obreiros acessam. Jesus afirmou que o bom pastor passa pela porta e somente os ladrões e salteadores pulam a cerca, João 10.1-2.

José amargou longos 13 anos entre a cova no deserto até o trono na capital do mundo de então. Teve que trabalhar duro na casa de Potifar, ser preso injustamente, porque não cedeu ao assédio da mulher de Potifar, administrou a penitenciária federal do Egito, servindo ao carcereiro com humildade, foi esquecido pelo copeiro-chefe de Faraó, Gênesis 40.23, por longo dois anos, Gênesis 41.1, etc.

Mas no dia em que Faraó ficou sabendo da fama de José, por meio do testemunho do copeiro-chefe, então a Bíblia diz que: Faraó mandou chamar a José, e o fizeram sair à pressa da masmorra; ele se barbeou, mudou de roupa e foi apresentar-se a Faraó Gênesis 41.14. Em outras palavras, no dia em que José foi revelado ao rei do Egito, Deus o levou ao trono em menos de 24 horas.

Podemos dizer que o trono é o lugar da honra, das homenagens, dos presentes (de aniversário), dos recursos (ex: dinheiro, saúde, estratégias, etc.), das conquistas, das viagens e do reconhecimento de uma maneira geral. A Bíblia diz que o trabalhador é digno do seu salário, Lucas 10.7, e que são merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se a fadigam na palavra e no ensino I Timóteo 5.17.

Mas antes do trono temos que encarar a cova. Em momento algum Deus nos entregará à nossa própria sorte nesta fase da vida, antes, como diz a Bíblia: …Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a pos-sais suportar, I Coríntios 10.13. Não podemos deixar de lembrar do que afirmou Pedro na sua carta universal aos crentes da dispersão: Humilhai-vos (cova), portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que eie, em tempo oportuno, vos exalte (trono), l Pedro 5.6.

Sem dúvida Deus não nos deixará perecer na cova durante nosso tempo de preparação, e nem mesmo nos deixará sozinhos quando estivermos no trono ou fazendo aquilo para o qual nos vocacionou e treinou para fazer. Nossa postura tanto em um como em outro lugar deve ser como a do apóstolo Paulo que pôde afirmar: aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado (cova) como também ser honrado (trono); de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura (trono) como de fome (cova); assim de abundância (trono) como de escassez (cova), Filipenses 4.12.

Por essa razão Paulo afirmou com segurança o seguinte: Tudo posso naquele que me fortalece Filipenses 4.13. É essa segurança que Deus quer nos dar quando nos colocar no trono. Portanto, aguente firme meu amado irmão e mantenha a mesma postura que José demonstrou durante os 13 anos de preparação.

Por fim, o que me chama a atenção em tudo isso, é que, José soube triunfar na cova (aguentou a provação sem pecar, sem negar a sua fé em Deus, Gênesis 39.9) e, sobretudo, no trono. No meu entendimento é no trono que somos mais testados e seguramente lá, é mais difícil triunfar, mas José nos ensinou uma grande lição: precisamos nos manter resignados na cova, e não abrir mão da humildade e total dependência de Deus quando estivermos no trono.

Fonte: Pastor Luiz Fernandes Bergamin ( presidencia@convencaosp.com.br )

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